sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O padecer de Ana

Ana era uma jovem de 20 anos, que havia acabado de passar no vestibular, de novo, era a terceira vez que ela havia entrado para uma universidade. Na primeira vez, ela gostou, mas achou melhor trocar por uma universidade mais conceituada, e foi a segunda vez, onde se arrependeu, se sentiu só, não se encaixou, quis morrer, tomou coragem, abandonou no quarto semestre. Agora era diferente, tinha que ser diferente, ou ninguém mais daria crédito a Ana, ninguém mais a apoiaria. Era sempre assim, ela nunca sabia o que queria da vida, a única certeza que ela tinha, era a de que queria ser feliz, amar e ser amada, dar orgulho para todos, ser o exemplo, mas, parte de Ana não estava nem aí para essa certeza, parte de Ana estava pouco se fudendo para o mundo e para tudo. Ana era um poço de confusão e loucura, uma única pessoa dividida em duas, que guerreavam entre elas, e essa guerra destruía Ana, pouco a pouco. Pobre Ana, morrendo sem ninguém perceber, incompreendida até por si própria, rejeitando pessoas, sendo rejeitada por elas. Era um inferno, um inferno dentro de si mesma, não dava para fugir, gritar não resolveria, morrer pioraria as coisas. Para Ana só restava ter esperança, e padecer pouco a pouco, enquanto o tempo passava.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pro-fundo

Eu me perdi novamente
Não sei como aconteceu
Na verdade até sei
Só não sei mais quem sou eu
Eu me perdi e morri
Não consigo ressuscitar
A tristeza está aqui
Não me deixar levantar
Já não sei mais nada
Não conheço nenhum lugar
Quase não consigo escrever
E nem sequer mais desenhar
É um vazio tão grande
Tanta dor dentro de mim
Medo e angústia me consomem
O tormento não tem fim
E se eu fosse outra pessoa?
Se eu fosse igual a ela
Se eu fosse, me amaria?
Se fosse tal qual essa bela?
Pensamentos me corroem
Não quisestes ser meu bem
Me deixastes a sangrar
Para salvar outro alguém
Estás feliz amado meu
Nos braços dela, eu sei
E eu a me torturar
Onde foi que eu errei?
Pra mim, só resta o fim do poço
Não consigo amar ninguém
Então vou me despedaçar
Pois tu amas outro alguém.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Amor é pra quem ama

Por Lenine

"Qualquer amor já é
um pouquinho de saúde
um montão de claridade
contribuição
pra cura dos problemas da cidade

Qualquer amor que vem
desse vagabundo e bobo
coração atrapalhado
procurando o endereço
de outro coração fechado

Amor é pra quem ama
Amor matéria-prima
A chama
O sumo
A soma
O tema
Amor é pra quem vive
Amor que não prescreve
Eterno
Terno
Pleno
Insano
Luz do sol da noite escura
"qualquer amor já é
um pouquinho de saúde
um descanso na loucura"

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O amor é para os fortes

Vejo todos ao meu redor encontrando o amor, quer dizer, encontrando o amor correspondido, e eu só consigo pensar: por que não eu? Por que eu não posso amar alguém que me ame?
Eu confesso que sinto uma certa inveja dessas pessoas, sim, inveja.
Eu vejo todos felizes e me pergunto o porquê de eu não poder ter essa felicidade.
Para mim sempre foi assim, só amores platônicos, paixões não correspondidas. Para mim sempre foi assim. Nenhum paquerinha no colégio, ninguém em lugar nenhum. Nunca fui o primeiro e último pensamento do dia de alguém que fosse meu primeiro e último pensamento.
O amor não é para mim. O amor é para os fortes.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Sobre o amor!

"Amor é bicho instruido.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca,
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo corpos, vejo almas
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender…"


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sobre você, sobre saudade

Sinto saudades
Mas, pouco importa
Você não dá a mínima para mim.
Se estou viva ou morta, pouco importa
Se eu morrer hoje, pra você tanto faz
Sua indiferença e sua frieza quase acabaram comigo. Não deixarei que aconteça outra vez.
Me afastei e continuarei assim. Você não se importa, você nem deve ter percebido, deve ter ficado aliviado até.
Eu não vou mais correr atrás. Então fica assim, você lá, eu aqui. E nunca devia ter sido diferente.
Você é minha droga, e drogas não fazem bem a saúde, por mais legais que sejam.
Se vier me procurar, estarei aqui, mas, venha de corpo e alma, se tiver uma. Venha só, ou traga seus monstros e fantasmas, não traga amores de tempos passados se esses ainda estiverem vivos.
Já passei maus bocados, e não quero passar por tudo outra vez. Sabe, o fundo do poço não é nem de longe o melhor lugar do mundo.
Sei que não virás, como eu disse, pouco importo pra você.
Vou seguir em frente... Mas, saiba que estou ao seu lado, em qualquer época, em qualquer tempo. A gente segue a vida, o tempo passa, mas, amor não morre.

Quem quiser me amar

Quem quiser me amar terá que me amar do jeito que sou, com todos os meus defeitos e "imperfeições", todas as coisas que uma mulher "normal" não deve ter, mas que eu tenho.
Quem quiser me amar, terá que me amar assim, com o cabelo enroladinho e a pele de chocolate, com esse sorriso de dentes tortos e amarelados, com essas unhas roídas também.
Quem quiser me amar terá que me amar com essa intensidade de sentir que eu tenho, com minhas incertezas, meus medos bobos e minha insegurança.
Quem quiser me amar tem que me amar sabendo que eu mudo de idéia constantemente e que sou a pessoa mais indecisa que existe, e a mais impulsiva também.
Quem quiser me amar tem que me amar sabendo que eu sou o que sou, e que não deve me obrigar a mudar, apenas me ajudar nas mudanças que ocorrerão naturalmente.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O teatro do fingir

Fingir!
A vida é fingir
Fingir ser madura
Fingir ter coragem
Fingir estar bem
Fingir que esqueceu

A vida é fingir
Fingir que ama a vida
Fingir que tudo está às mil maravilhas

A vida é fingir
Atuar, atuar bastante
Como se a vida fosse um grande teatro

Fingir!
A vida é fingir
Fingir estar sempre bem
Atuação digna de oscar

Fingir
O espetáculo acaba
As cortinas se fecham
A platéia vai embora

Fingir
Solitária no camarim
Algumas flores, muitas cartas
Só!

Fingir!
Em frente ao espelho
Não dá pra fingir
Não dá para se enganar
Pra você mesmo não dá pra mentir.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

É O QUE EU SOU

Negra,
É o que eu sou!
Tenhos traços negros, pele negra, cabelo negro.

Negra,
É o que eu sou!
E não tenho vergonha de minha cor
Se você tem, pode falar
Não precisa fingir
E se afaste de mim,
Não quero hipocrisia

Negra,
É o que eu sou!
E eu não sou perfeita não!
Mas só que ser imperfeita, também é ter perfeição. 

Lá vem a cidade - Lenine

"Eu pairava no ar, e olhava a cidade
Passando veloz lá embaixo de mim.
Eram dez milhões de mentes,
Dez milhões de inconscientes,
Se misturam... viram entes...
Os quais conduzem as gentes
Como se fossem correntes
Dum rio que não tem fim.

Esse ruído
São os séculos pingando...
E as cidades crescendo e se cruzando
Como círculos na água da lagoa.
E eu vi nuvens de poeira
E vi uma tribo inteira
Fugindo em toda carreira
Pisando em roça e fogueira
Ganhando uma ribanceira...
E a cidade vinha vindo,
A cidade vinha andando,
A cidade intumescendo:
Crescendo... se aproximando.

Eu vim plantar meu castelo
Naquela serra de lá,
Onde daqui a cem anos
Vai ser uma beira-mar..."